Quando Aristóteles (384 aC – 322 aC) em sua obra Política nos disse que a Democracia era algo como um mal que entre todos os males talvez fosse o menor, mas ainda assim um mal, ele estava nos alertando para a degeneração deste sistema.
O filósofo estagirita considerava três formas de poder como sendo boas, qual sejam, a monarquia, a aristocracia e a República ou Politeia. Em contrapartida, considerava como respectivas formas degeneradas destas mesmas, a Tirania, a oligarquia e a Democracia ou Demagogia. O governo de “um” para todos, monarquia, corrompido vira tirania. O governo dos melhores ou mais bem preparados com vistas ao bem de todos, aristocracia, deteriorado se transforma em um governo de poucos para poucos, a oligarquia. E, finalmente, o governo de todos para todos, República, degenera em Democracia ou Demagogia.
Um olhar assim meio esquerdista, meio “faltei às aulas de filosofia no ensino fundamental”, faz Aristóteles parecer um “malvadão” ou para usar uma expressão tão cara aos esquerdolinos, “Fascista” !
Só que não.
Em se crendo que o homem é um zoon politikon, um animal naturalmente político, fica descartada a possibilidade de vivermos de forma não-gregária. Logo, necessitamos de um sistema que intermedie nossas relações coletivas ou públicas. Ora, como fazê-lo com vistas ao bem comum? Afinal, este é o objetivo da política: o bem comum e não o poder por ele mesmo. A resposta nos tem sido forçada goela abaixo como sendo essa moça mais conhecida pelo nome do que pelo caráter, uma tal de Democracia que dizem ser filha adotiva da República.
Estando nossas mentes assim tão constantemente alimentadas de narrativas como “defesa do estado DEMOCRÁTICO de direito” ou “ataque ao estado DEMOCRÁTICO de direito”, talvez precisemos regurgitar uma destas expressões para uma análise mais acurada: Democracia.
Afinal, democracia é tudo isso mesmo? Andam até falando (não vou dizer quem) que a Venezuela, a Nicarágua, a China e até o Brasil são democracias (relativas). Ora, ou Democracia é algo definível ou é pastilha política pra mau-hálito de tiranetes?
Mas vamos lá. Peço ao leitor que principie imaginando um cenário no qual este autor está em um auditório diante de Alexandre de Moraes como sugere este roteiro:
— Vocês já imaginam o que vou fazer aqui? Questiona o autor.
Segue-se uma pausa Dramática. Corta para o rosto de Alexandre Moraes encarando ameaçadoramente a plateia que, neste caso, é você leitor. Inicia uma música de fundo com letra e melodia autorizadas pelo STF. Corta de volta para o autor que esta gritando com o dedo em riste estilo Fidel Castro:
— Vou conspurcar, vou anatematizar, vou violar, vou...vou...criticar a sacrossanta democracia !
Corta novamente para imagem de Alexandre de Moraes chorando e escuta-se um ruído de algo caindo e quebrando.
Desculpem, caros leitores, essa licença dramático-teatral, mas este país exige de nós humor ou perda de sanidade mental e como prefiro o riso à companhia dos “irmãos” clonazepam, citalopram, mirtazapina e paroxetina, vou lendo o Brasil como um observador bem-humorado e não como mais um interno no Sanatório Geral da República.
Fato é que, especialmente e mais intensamente após as eleições de 2022, tanto se disse sobre a vitória dessa tal democracia que fiquei imaginando que essa coisa toda era algo como aqueles rituais da antiguidade grega aonde jovens virgens se banhavam em águas lustrais para serem purificadas em algum ritual sagrado. Tenho, contudo, a impressão que se algum ritual se seguiu nestas terras menos clássicas (bem, bem menos clássicas) do hospício Brasil, não foi nenhuma cerimônia de consagração ao impoluto deus democracia, mas antes algum tipo de sacrifício antropofágico primitivo de um falso deus.
Permitam-me, assim, defender Aristóteles e a mim mesmo já que, humildemente, partilho a ideia aristotélica de que Democracia é uma forma degenerada dentro da República.
Primeiro, a Democracia não é uma forma qualitativa, mas quantitativa de poder. É o poder do número e não do preparo ou esmero intelectual. O peso do voto do homem mais honesto e sábio do mundo é o mesmo do mais ignorante e desonesto e isso é tratado como um grande apanágio da democracia. Você levaria o sujeito mais desonesto do mundo para partilhar seu lar? Não, né?! Mas temos que confiar nele para fazer as escolhas políticas? Aliás, como insiste em demonstrar a história, essa outra “malvadona”, os desonestos têm sido eles mesmos alçados ao poder com teimosa frequência. E se um país fosse formado majoritariamente por idiotas? (O autor adverte: qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência). Idiotas fazem escolhas idiotas e só por acidente tomam decisões não-idiotas.
Isso nos leva ao segundo ponto. Justamente por ser quantitativa, a democracia não é uma forma racional de poder. Isso mesmo, a democracia é irracional. Explico: Etimologicamente, a palavra “racional” vem do latim ratio que entre seus significados pode ser entendida como “dar proporção”. Ora, o voto na democracia não é proporcional. Lembrando do exemplo do parágrafo acima, o honesto, o sábio, o ladrão, o assassino, o adolescente imaturo e o homem maduro têm desproporções obvias em suas habilidades votantes, no entanto, o voto de todos é igual, ou seja, há desproporção, há desrazão !
Há ainda o problema de ser a democracia a lei do mais forte. A vitória não será do mais apto, mas pertencerá àquele que possuir maior poder de convencimento, seja através do dinheiro, da oferta de vantagens, seja por tramoias, cambalaches, mentiras coloridas ou enredos de marketing caros e bem narrados. Vence quem convence.
Será que é preciso lembrar, por exemplo, que já em 1932 o Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, também conhecido como Partido Nazista Alemão, venceu eleições DEMOCRÁTICAS que no ano seguinte elevariam o “bigodinho” psicopata, Adolf Hitler, ao cargo de chanceler?
Para que a Democracia funcionasse como um sistema perfeito seria preciso que o componente essencial dela, o homem, fosse igualmente perfeito, coisa que os teimosos fatos não comprovam.
Essa última ilusão, a perfectibilidade do homem, que forma grande parte das narrativas sobre democracia, parece ser algum resquício da bactéria marxista ou ainda, anteriormente, da virose roussouniana que cria ser o homem um “bom selvagem” corrompido pela sociedade, esta mesma composta de homens, e que seria conduzido de volta à perfeição pela indefectível “vontade geral”.
Aparentemente, essas “doenças” cognitivas não foram bem tratadas com altas doses de exemplos historiográficos ou por um simples chazinho de lógica. Tal descuido permitiu que essas ideias continuassem grassando nas mentes não imunizadas. Isto, aliás, prova meu argumento de que o homem não é perfeito e nem perfectível, afinal, mesmo diante da história e da lógica alguns ainda insistem que a utopia do mundo perfeito baseado na moral do homem é alcançável. Pasmem ! São os mesmos defensores do completamente ilógico relativismo. Como podem múltiplas morais, uma para cada indivíduo, se coadunar em um único sólido coletivo?! A resposta é obvia: não podem. A solução? Óbvia também: fundar as sociedades em uma moral transcendente e não imanente a um ou qualquer homem.
Mas já estou me alongando. Você já deve estar cansado de me ler, caro leitor. Vou encerrar por aqui, mas antes quero deixar meu alerta a algum esquerdopata que tenha se perdido por aqui e já está aí, salivando de vontade de me chamar de fascista. A estes digo: Não passe vontade, vai lá, me chame de fascista e prove que estou certo: a democracia ainda tem idiotas demais para ser perfeita !
