É assim que o mundo acaba

Quando vejo que nossos burros deram n´água, penso no que deixamos que se tornasse nossa republiqueta que já era por si mesma, desde sua fundação, um arremedo de democracia e que fora fabricada a golpes de espada e à saraivada de tiros de coronéis escravagistas e que souberam, naquele lamentável 15 de novembro de 1889, convencer os abolicionistas que bom mesmo era a república das oligarquias para substituir a aristocracia monárquica, mesmo tendo sido a nossa ex-futura imperatriz, Princesa Isabel, a mais abolicionista de todos os abolicionistas.

MÉTODO DE ESTUDOHISTÓRIA

7/20/20263 min read

Quando vejo que nossos burros deram n´água, penso no que deixamos que se tornasse nossa republiqueta que já era por si mesma, desde sua fundação, um arremedo de democracia e que fora fabricada a golpes de espada e à saraivada de tiros de coronéis escravagistas e que souberam, naquele lamentável 15 de novembro de 1889, convencer os abolicionistas que bom mesmo era a república das oligarquias para substituir a aristocracia monárquica, mesmo tendo sido a nossa ex-futura imperatriz, Princesa Isabel, a mais abolicionista de todos os abolicionistas.

Sim, é o que estou dizendo: se tivemos um dia chance de sermos uma nação pujante, ao menos em protoforma, rendeu-se o sonho naquela malfadada Praça da Aclamação no Rio de Janeiro lá em 1889. Sim, também há aí a afirmação que não somos República, somos uma fotocópia malfeita de república nenhuma. Em outras palavras, ainda somos uma república de coronéis como na nomeada República Velha, só que os coronéis agora vestem toga, usam relógio Patek Philippe e tomam vinhos que custam muito mais que seu salário a cada garrafa.... Ah ! E estes que aí estão não são aristocratas, mas oligarcas. Afinal, aristocracia é a governança dos melhores e mais bem preparados e estes são só um pequeno número de sacripantas ignaros.

E por quê? Porque vemos tiranos calvos crentes que são dotados de poderes galácticos capazes de atravessar fronteiras nacionais e exigir rendição de quem não deve nada a nossa lei? Porque metade da população não se importa com a imoralidade de “descondenar” um indivíduo e alçá-lo à presidência da república? Porque tantos são indiferentes ao crescimento lento, mas agressivo da censura e da ditadura?

O nova-iorquino Murray Rothbard dizia que pessoas patéticas, vazias e improdutivas não se importam com a perda de liberdade porque não estavam fazendo nada com ela de qualquer jeito e muitas destas pessoas até se regozijam com a perda de liberdade dos outros, porque isso as faz se sentirem melhores em relação às suas miseráveis existências.

Já que estamos falando de autores norte-americanos, vou dizer daquele que mais me é caro. O poeta T. S. Eliot, falecido em 1965, tem um belo poema intitulado “Os Homens Ocos”. Nele o autor explora o nosso sofrimento como força de renovação. Leia com atenção esta pequena parte:

Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!
Nossas vozes dessecadas,
Quando juntos sussurramos,
São quietas e inexpressas
Como o vento na relva seca
Ou pés de ratos sobre cacos
Em nossa adega evaporada

Vê como questiona ele a nossa fragilidade e fugacidade? Vê agora como somos só uma embalagem? Homens de palha que se consomem ao fogo. Aí está a primeira resposta: somos homens ocos. Está em nós o germe da maldade e, fracos como somos, cedemos à tentação do poder.

No mesmo poema, TS Eliot encerra com um excerto cujo verso final já foi utilizado por Theodore Darymple para intitular um livro seu:

Assim acaba o mundo
Assim acaba o mundo
Assim acaba o mundo
Não com um estrondo, mas com um gemido.

Perfeito. Darymple, em seu livro “Não com um estrondo, mas com um gemido”, explora exatamente como se deu a decadência cultural e, por conseguinte, política da Grã-Bretanha. Creio que podemos importar para a terra brasilis o mesmo princípio: a decadência, especialmente a jurídica que ora lamentamos, não se deu de forma abrupta, com um estrondo, mas com pequenos gemidos de supressão de liberdades. Enfim, como ratos em guampa, fomos sendo comprimidos e oprimidos gradativamente para dentro da escuridão e a cada passo ficam mais limitados nossos movimentos.

Muito bem. Como se sai deste labirinto de minotauro que devora não as virgens, mas os experientes que ousam desafiar o monstro? Eu deveria dizer que não sei e vou dizê-lo: não sei. Mas preciso ao menos dar de comer ao filhote da esperança, caso contrário não seria eu um bom cristão e como tal digo-lhes, é uma luta individual antes de ser coletiva.

É isso ou viver de sobressaltos como se o Brasil fosse um paciente ferido mortalmente que anima os que aguardam pela sua saúde a cada mísero sinal de recuperação e que logo depois afunda novamente no coma com alguma uma nova infecção. De pen-drive revelador em pen-drive revelador a energia se esgota e a angústia aumenta.

Somos nós os responsáveis individualmente por cada esquerdista que não convencemos, por cada parente que permitimos que votasse nulo e por viver pelas redes sociais fazendo o mesmo que a esquerda faz, só que com sinal trocado.

Preencha cada espaço livre do seu dia sendo uma versão melhorada de você. Leia mais, estude mais e reze mais. Preencha-se e deixe de ser um homem de palha, deixe de ser um home oco.