“Excola”

“Excola” pretende ser uma metáfora da má escrita e da má leitura feitas nas escolas. Aqui, quando digo “feita”, supondo efetividade, pode parecer uma afirmação de um otimismo quase ingênuo, flertando com a ignorância, especialmente para aqueles que aqui me leem e têm consciência de quão pífios podem ser os resultados do processo educacional

7/20/20264 min read

Necessário é explicar-me a respeito do título deste artigo. Até porque, se tal fosse dispensável, algumas teses que apresento e defendo aqui perderiam a razão de ser expostas.

Mas vamos lá. Creio que muitos — aliás, quanto mais, melhor para meu argumento central — muitos daqueles que me lerão tenham sido vítimas da má escola; logo, terão dificuldades com a interpretação de texto necessária à compreensão de um título intencionalmente grafado incorretamente e tão peculiarmente singelo como este: “Excola”.

“Excola” pretende ser uma metáfora da má escrita e da má leitura feitas nas escolas. Aqui, quando digo “feita”, supondo efetividade, pode parecer uma afirmação de um otimismo quase ingênuo, flertando com a ignorância, especialmente para aqueles que aqui me leem e têm consciência de quão pífios podem ser os resultados do processo educacional. Mas posso garantir-lhes que não se trata disso. Trabalho com educação já se vão mais de 28 anos e tenho ciência da ineficácia e ineficiência de todo o processo. Então, quando digo que a leitura e a escrita são “feitas nas escolas”, é apenas para respeitar a concisão de uma introdução como esta. Além de todos os demais problemas dos quais as escolas são vítimas ou elas mesmas a causa, é notório que o analfabetismo funcional grassa em nosso país com a mesma fertilidade do mato após a chuva e que o que aqui chamei de leitura e escrita não passa de um arremedo do que deveria ser.

Afirmo, portanto, que aqueles que passam pela escola, esperando tudo dela sem a si mesmos superar, mal leem e mal escrevem. Vai daí, o trocadilho da má ortografia da palavra escola no título. Fica assim, exposta a primeira analogia implícita.

Em segundo lugar — que também se metaforiza no título — afirmo que não há mais “escola”. Assim, como temos EX-presidentes ou EX-Ministros quando deixaram de ser, respectivamente, Presidentes e Ministros, temos também EX-cola, quando esta deixou de ser uma escola.

Obviamente, tratam-se de trocadilhos poéticos para afirmar que a escola não ensina bem ou não ensina “o bem” ou mesmo ensina mal ou até ensina “o mal”. Assim como, enquanto instituição, a escola deixou de sê-la porque se perdeu de si mesma.

Vai daí o problema da escola ser deontológico e teleológico, ou seja, se trata da desorientação quanto a moral, intenções e propósitos do sistema educacional formal.

Algum filósofo disse que nada mais perigoso que um idiota persuadido da sua normalidade. As salas de aula estão sendo bastante eficazes na produção deste tipo de idiotas.

Como convencer alguém que, protegido pela própria ignorância, não percebe a falsidade de suas premissas? Ele não vai se deixar educar porque foi convencido que o propósito é o prazer sensorial e que belo é a mentalidade rebelde, inculta e desrespeitosa, a cacofonia e a eterna puerilidade dos pensamentos. Assim, uma criança nascida inteligente se transforma num idiota pedante e orgulhoso de sua própria ignorância.

Tá bom, então “retornemos a educação clássica” ou ao “homeschooling”? Sério? Vocês acham que os clássicos seriam pró-homeschooling? Claro que não. Proteger as crianças? Essa é a intenção? Proteger de quê? Da ignorância e doutrinação? E em casa estariam a salvo da ignorância? Tem certeza? Não, meu caros, esse é um problema que não apresenta fácil solução, quase uma aporia. Eu disse, quase.

Veja, não sou contra a autoeducação, mas sou desconfiado quanto a ser permanente e para qualquer idade. Quanto é preciso crescer individualmente até que seu intelecto transborde a ponto de alimentar outras mentes?

Mas não vou lhes deixar assim, em pleno pessimismo catastrófico. Ao mesmo tempo não vou adocicar o amargo desta realidade. Há solução. Lembrem que há dois parágrafos eu disse “quase”. Não há nada feito pelo homem que não possa ser emendado pelo homem e através dele. Siga minha receita:

Comece indo até a escola de seu filho e conheça os professores, especialmente os da área de humanas. O que pensam? Quais são princípios ou ideologias? São os mesmo que os seus? Não se iluda, princípios e ideologias são como lagos durante uma tromba d´água, cedo ou tarde transbordam e inundam os que estão próximos a ele. Pense se você quer seu filho mergulhado em ideias progressistas, comunistas, globalistas ou identitárias, sim, porque essas “águas” são maioria dentro dos quadros docentes.

Segundamente e, finalmente, não exija de seu filho nada que você mesmo não possa fazer. Pais devem ser modelos aos filhos. Não exija que leia, se você mesmo não lê. Não exija que estude, se você não estuda. Não se esconda atrás de justificativas quaisquer porque, lembre-se, você é o modelo que estará dizendo ao seu filho que existem justificativas para não fazer algo.

Em suma, esforço individual e familiar não resolverão o problema da “excola” no curto prazo, mas serão a gênese de melhorias que, se multiplicadas, podem vir a ser um toar, no mínimo, harmônico de uma sociedade que ao menos sabe seu propósito.