O Comunismo é uma Religião?
Por mais que a História, essa teimosa promotora de fatos, insista em provar a excrecência da ideologia comunista, ainda há quem fique se bazofiando em ser comunista.
POLÍTICAANÁLISE
7/20/20264 min read


Por mais que a História, essa teimosa promotora de fatos, insista em provar a excrecência da ideologia comunista, ainda há quem fique se bazofiando em ser comunista. Entre estes se encontram o presidente da república do Brasil, o senhor Lula, um ministro da suprema corte brasileira, o senhor Dino, além é claro, dos indefectíveis universitários “barbichinha” incensados a muita cannabis e alguns intelectuais vaidosos demais e talvez velhos demais para se envergonharem de suas defesas a um sistema epistemologicamente falso, historicamente falido e que já foi proibido em países como Hungria, Letônia, Indonésia, Polônia, Ucrânia, Lituânia, Geórgia e Moldávia. Ressalva aqui feita ao Parlamento Europeu que, embora tenha promovido uma resolução condenando tanto o Nazismo quanto o Comunismo por terem cometido “genocídios e deportações e foram a causa da perda de vidas humanas e liberdade em uma escala até agora nunca vista na história da humanidade”[1], tem sido ele mesmo, o Parlamento Europeu, um defensor do Progressismo, que não passa de outra cabeça do Cérbero, o cão dos infernos comunista.
Enfim, toda essa paixão ilógica e esse negacionismo histórico podem assemelhar-se, aos menos atentos ou aos mais maliciosos, a uma Religião. Contudo, na medida em que eu mesmo algumas linhas acima chamei o comunismo de ideologia, fica apenas pendente explicitar que a sobrevivência do comunismo se trata de um fenômeno cultural e não de uma religião.
Primeiro e ao contrário do que o senso comum afirma, Religião não é um fenômeno baseado na ilogicidade ou em desconexão com o mundo natural. Esse ledo engano ocorre porque muitos daqueles que se declaram religiosos não estudam a própria religião e ficam sujeitos às emboscadas de ateus e congêneres. Àqueles que duvidam que a Religião possa ter fundamento racional, deixo aqui a sugestão de leitura da Suma Teológica de São Tomás de Aquino e o desafio em tentar refutá-la.
A Religião que de fato se digne a esta classificação, deve estar sujeita ao escrutínio da razão e sobreviver ao embate. Afinal, Religião não é apenas uma escolha é uma disposição da inteligência e da vontade, é um “querer-conhecente” e não um “escolher-cegamente”. Aliás, qualquer conjunto teorético-dogmático que se pretenda verdadeiro deve se oferecer em sacrifício ao exame lógico-racional. Por aqui vemos que o comunismo não se dispõe a ser dissecado ou mesmo que seus seguidores aceitem abandoná-lo quando provado seu falecimento. Óbito este já confirmado por grandes “legistas” como Hayek ou Mises, há muito.
O marxismo como um todo, aqui falo de todas as suas seitas como progressismo, wokismo, gramscismo, identitarismo, feminismo moderno e até algumas social-democracias, todos estes são movimento ideológico-culturais. Explico: Ideologias são manifestações da vontade ou das paixões e delas se servem os que têm por finalidade a política e o poder. Ideologias não servem a verdade. Culturais, pois são manifestações humanas e como seres imperfeitos que somos também produzimos cultura de forma imperfeita. Assim, por exemplo, encontramos na Índia o culto a vaca não como uma vaca, mas como um ser sagrado. Isso é uma manifestação cultural da qual suas origens podem ser explicadas histórica e antropologicamente, mas, como fato, não pode ser sustentado racionalmente. Eis aí o grande erro dos relativistas: confundir a explicação da origem de um fato ou evento com a afirmação da verdade sobre o fato. Por mais que quem ame o falso, verdadeiro lhe pareça, isso não torna o falso, verdadeiro. A Vaca continua uma vaca apesar de seus adoradores terem motivos para acreditarem na sacralidade dela. O relativismo deveria ser sobre respeito às culturas em diferentes estágios de evolução e não sobre ontologia.
Assim, o comunismo e seus asseclas, como uma manifestação ideológico-cultural, podem soar como uma religião porque se fizeram assim. No entanto, estão mais para um movimento esotérico (assim mesmo, com “ésse”) permanente que só se revela em retrospectiva na mesma medida em que reincide em erro, sacrifica seus profetas e pastores como traidores da teleologia e acrescenta mais um versículo a “suna” sagrada do comunismo e, simultaneamente, um renovado futuro apocalipse terreno às suas pretensões. Assim, movendo-se em um eterno devir melhorado do tipo “agora-vai”.
Isso lembra, com certeza, ao nosso leitor mais “vintage”, aquela historieta do burro que é forçado a caminhar amarrando uma vara ao seu lombo com uma cenoura presa a ponta, ficando essa sempre à frente do animal que, na ânsia de comê-la, caminha sem nunca realizar seu intento. Peço aqui perdão ao burro, o animal, pela analogia aos comunistas. Outra analogia inevitável, esta, infelizmente, com precedentes no mundo real, são com aquelas seitas apocalípticas ou mesmo outras que preveem a chegada de alienígenas em datas específicas e que, quando frustradas diante da ausência da visita ou sinal tão esperado, renovam seus cálculos proféticos e seguem na esperança da salvação ou viagem sideral ou, pior, sacrificam-se em holocausto como o fizeram novecentos seguidores da seita de Jim Jones na Guiana Inglesa em 1978. Seita, esta última, aliás, que se declarava de um tipo de socialismo religioso.
Aos mais atentos já respondo: Sim, meus caros leitores, sim. Se o comunismo é uma manifestação cultural antropófaga, uma cobra comendo o próprio rabo, mas capaz, mesmo que de forma incongruente, de se auto-regurgitar, se transformando em algo novo e velho ao mesmo tempo, estamos condenados a conviver com ele até o fim dos tempos... a menos que nos empenhemos em ampliar nosso próprio horizonte de consciência e nos enselvemos em embates que são culturais antes de serem políticos, afinal, já disseram muitos sábios que as águas que movem o moinho da política, antes repousam no lago da cultura.
[1] https://www.europarl.europa.eu/doceo/document/TA-9-2019-0021_EN.html
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