Você viu alguma educação por aí?
Você que está me lendo, há quanto tempo não frequenta uma sala de aula? Desde sua adolescência? Nem lembra? Ainda frequenta a escola ou a faculdade? Bom, se você está esperando que nesta linha lhe diga agora coisas como “Ah, no meu tempo era diferente” ou “Aonde vamos parar deste jeito”, lamento, mas não vou fazê-lo.
EDUCAÇÃO
7/20/20265 min read


Você que está me lendo, há quanto tempo não frequenta uma sala de aula? Desde sua adolescência? Nem lembra? Ainda frequenta a escola ou a faculdade? Bom, se você está esperando que nesta linha lhe diga agora coisas como “Ah, no meu tempo era diferente” ou “Aonde vamos parar deste jeito”, lamento, mas não vou fazê-lo. Primeiro porque não sou tão velho assim, na verdade sou, mas me considero vintage e não velho. Sabe, vintage é o antigo que ainda está na moda. Segundo, e esta é a constatação, não é que as coisas educacionais pioraram muito nos últimos anos, mas que elas têm permanecido em estado deplorável há muito. Mais ou menos como uma coisa com gosto ruim que muda eventualmente de sabor, mas continua péssimo só que com alguma especiaria pra disfarçar o gosto pútrido.
Há tanto tempo que não temos nas terras tupiniquins algo que mereça ser chamado de Educação que acredito não haver ninguém vivo que tenha conhecido um sistema educacional brasileiro que sequer tenha tido propósito em, de fato, ser Educação, aqui com “e” maiúsculo.
Permita-me, caro leitor, emprestar um átimo do seu precioso tempo para lhe esclarecer inicialmente o que é para que serve essa tal educação formal. Já falei muito por aí que essa pergunta é tão fundamental quanto ignorada por aqueles que vivem a educação. Estou falando de professores, gestores, coordenadores, diretores e pedagogos que são como sapos que passaram toda sua vida no fundo de um poço e que quando perguntados o que é o céu, respondem que é apenas um furo no teto de suas casas. Aí está a primeira resposta ao dilema: a educação lhe dará a liberdade para ampliar seu horizonte de consciência, lhe permitirá deixar o fundo do poço.
Não, não se iluda com essa bela parábola acima. Eu odeio aquelas palestras pré-início de ano letivo nas quais lindas frases emotivas são recortadas em e.v.a. e espalhadas pelos murais da escola. Odeio dinâmicas pedagógicas que tratam professores como retardados mentais ou como tendo crianças interiores que precisam ser resgatadas. Pronto, saiu daqui outro problema: a supervalorização do emocional como referencial educacional.
Ah, os pedagogos ! Esses promotores de muitas das pantomimas escolares. Essa espécie estranha que não dá aula, mas entende tudo de aulas — o ministério da limitação cognitiva adverte: a frase acima contém ironia em doses paquidérmicas. Essa espécie educacional responsável, em vários níveis, por pensar a educação, é um tipo de coaching sem o terninho slim fit e sem os sapatênis, mas que, por algum motivo obscuro, adora echarpes, cachecóis e botas de cano longo. Só quem já andou na selva dos corredores de uma escola e pôde observar esse profissional, sabe que a caracterização, ainda que um tanto estereotipada, não se afasta tanto da realidade. O problema aqui é que os pedagogos usam o que chamo de Teoria do Sofá na resolução dos problemas educacionais. Um marido chega em casa mais cedo do trabalho e encontra sua esposa em flagrante adultério com seu melhor amigo no sofá da sala. O que o marido faz diante do problema? Joga fora o sofá. Pois bem, é isso que a pedagogia tem feito há décadas. O problema não é encarado nos olhos porque lhes faltam ferramentas cognitivas. Lembre, são eles mesmos, os pedagogos, frutos desta mesma torta educação, portanto, são também sapos no fundo do poço. Seja, de outra forma ou simultaneamente, porque devem bater índices de permanência dos alunos na escola ou diminuição da evasão e da reprovação ou, no caso das instituições particulares, a manutenção do “cliente” satisfeito, mesmo que consignam diagnosticar o problema vão levando seus dias de lamentação em lamentação com se houvesse alguma espécie de prazer doentio em apenas lamentar sem jamais agir.
Acha que acabei? Meu amigo, se você ainda não se desesperou ou angustiou é porque seu coração é como de um professor que não arredonda a nota do aluno de 2,5 para 7,0: um bloco de gelo, duro e frio. “Não é para tanto”, você pode estar pensando. “Conheço um monte de gente que não estudou e se deu bem”, diz você. Perfeito, como queria eu demonstrar: você já é resultado desta educação que entende que o importante é o sucesso financeiro e não a erudição das potencialidades humanas. Não sou teólogo, mas acredito que ter recebido de Deus o dom da inteligência e não desenvolvê-la deva ser a negação de uma infusão divina e, portanto, pecado grave.
Fique mais um pouco aqui e me permita agora esclarecer aquele ponto que nenhum profissional da educação tem coragem de tratar de forma eficaz e eficiente, embora muitos em salas de professores Brasil afora gastem seus intervalos lamentando a falta de vontade dos estudantes para o estudo. A bem da verdade, os professores tem poucas ferramentas mesmo, sejam pedagógico-administrativas, sejam cognitivas. Aliás, você meu leitor, sabe o que significa “estudo”? Vem do latim Studio que significa algo como “vontade de”. Assim, o estudante seria alguém com vontade, com disposição em aprender e apreender. Bom aí, está. Raros espécimes estudantis têm vontade de aprender. Fariam qualquer coisa se lhes fosse facultada a presença às salas de aula, menos estudar filosofia, literatura, história, etc... Como ensinar algo a alguém sem vontade de aprender ?
Se não vou falar do Ministério da Educação e Cultura ? É claro que vou falar, mal, mas vou. Essa excrecência foi criada lá em 1930 por Getúlio Vargas, um sujeito que se tornaria um ditador fascista e que, incrivelmente, dá nome a praças e avenidas pelo Brasil — imagine uma praça Adolf Hitler na Alemanha ou uma avenida Mussolini na Itália e entenda o absurdo. O MEC mais parece uma vaca no grande curral ou esplanada dos ministérios onde os úberes estão sempre a disposição para serem ordenhados do dinheiro público que será despejado regular e irregularmente em bolsos privados ou causas perdidas. Feito para pensar a causa educo-cultural de forma estatizante e subserviente a ideologia do momento e ignorar qualquer regionalidade que não sirva ao propósito da doutrinação. Duvida? Já leu o relatório do Plano Nacional de Educação, o PNE? Lá há mais Paulo Freire que nos próprios livros do comunista !
Tá bom. Então, o que fazer? Não vou embromar na resposta porque já estou chegando ao fim da pauta. É simples, mas vai doer, lhe aviso. Lá vai: Sacrifique seu tempo de ócio inútil e estude por seus próprios esforços e se tiver filhos, faça isso por eles e com eles. Blaise Pascal dizia que o homem se entedia porque busca se divertir, ou seja, preenche o espaço com inutilidades vãs ou com vulgaridades que em nada lhe torna melhor. Por onde começar? Bom, isso seria outro artigo, mas não vou lhe deixar assim, órfão de uma esperança. Comece lendo o pequeno conto “A Aposta” de Anton Tcheckhov. Tem, talvez, umas dez páginas ou menos e pode ser encontrado gratuitamente na internet. Se gostar, me procure por aí no mundo virtual que posso lhe dar mais dicas. Bons estudos.
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